Puro ou com gelo, uísque é resultado de pura arte

Puro ou com gelo, uísque é resultado de pura arte

De gole em gole, o uísque se firmou como um dos destilados mais respeitados do mundo. O scotch, termo que define a bebida produzida na Escócia, é um ícone entre os bebedores de todo globo. Puro ou com uma pedra de gelo (on the rocks!), ele tem na Índia seu maior consumidor. O dado é surpreendente, mas vale lembrar que a terra de Gandhi posiciona-se como o segundo país mais populoso do mundo, com mais de 1 bilhão de pessoas. Cerca de 1,6 bilhão de litro de uísque é consumido por lá, por ano, o que representa metade de todo volume mundial.

Há, no entanto, uma observação sobre o uísque comprado e também produzido na Índia. Como ele leva melaço, poderia ser definido mais como rum que como uísque. Mas, oficialmente falando, é uísque. No quesito consumo per capita, no entanto, ninguém tira a França do pódio. O consumo per capita anual é de 2 litros. Na vice-liderança, os uruguaios com 1,8 litro e, em terceiro lugar, os americanos, com cerca de 1,5 litro.

Nos domínios da Glenmorangie, na Escócia, e hoje pertencente ao grupo de luxo LVMH

Se na França o consumo de scotch é grande, nos Estados Unidos o mercado compra principalmente o Bourbon – o uísque produzido em terras americanas. O Japão, quem diria, tem conquistado seu lugar ao sol com destilados de excelente padrão. Em 2014, após analisar 4,5 mil variedades de todo mundo, a Whisky Bible escolheu o japonês Yamazaki Single Malt Sherry Cask, da destilaria Suntory, como o campeão mundial. A bebida recebe 97,5 pontos de um máximo de 100.

LIÇÕES DE WINSTON CHURCHILL

Churchill, um dos 10 bebedores de uísque mais famosos da história

Seja qual for o produtor, o uísque entrou no imaginário do consumidor mundial há muito tempo. O primeiro-ministro britânico Winston Churchill costumava dizer que, como a água não era boa o suficiente para beber, ele adicionava uísque para torná-la palatável. Esse seu hábito de beber muito era tão conhecido, para não dizer descarado, que chamou a atenção do rei George VI. Intrigado com o hábito inusitado, ele questionou se o álcool não afetava seu poder de decisão. “Não, eu pratico muito”, teria respondido. 

Churchill, claro, só bebia scotch. O motivo? Ele sabia da qualidade por trás da bebida escocesa. Pelas leis que atestam sua autenticidade, é obrigatório que um verdadeiro scotch amadureça em barris de carvalho por pelo menos três anos em território escocês. Existem, no momento, por volta de 20 milhões de barris amadurecendo em armazéns escoceses. Passado esse tempo, as destilarias mais premium conservam a bebida no casco por um prazo mais longo antes de engarrafa-las.

SINGLE MALT

Cevada, a essência do uísque escocês, o scotch

Hoje, a vedete dos scotchs é o “single malt”. Para se ter uma ideia, há mais de 100 destilarias de single malt na Escócia. Cada uma produz a bebida com características particulares de sua região e métodos, embora exista um mar de regras a serem seguidas por todos.

Para ter o direito de usar o termo single malt, o produto deve ser elaborado a partir de cevada maltada, água, levedura e, tão importante quanto os ingredientes nobres, ser destilado em apenas um local. Isso ajuda a preservar as características da região onde é produzido.

O processo de maltagem da cevada, obrigatório na Escócia

Já o “blended scotch” é produzido a partir da combinação de destilações diversas – geralmente de 15% a 40% de malte simples e de 60% a 85% de um grão único como o trigo. E, ainda por cima, é elaborado em diferentes locais. 

Alambiques de cobre, presença constante nas destilarias de single malt da Escócia

Se o single malt é mais estruturado e intenso na boca, o blended scotch é mais leve e compreensível para o paladar. O processo de produção do single malt, para quem tem curiosidade em conhecer, leva de dois a três dias. E demanda, obrigatoriamente, uma dupla – em alguns casos tripla – destilação em alambiques de cobre.

ENVELHECIMENTO EM BARRIL

O puro malte escocês Glenlivet, produzido em Speyside, na Escócia

Dizem lá na Escócia que a madeira faz o uísque. Exagero? Nem um pouco. Estima-se que 70% dos sabores de um scotch vêm do barril. O envelhecimento em barril é uma arte que os escoceses, definitivamente, dominam.

Diz a regra escocesa que um autêntico scotch deve ser envelhecido por pelo menos três anos em barricas de carvalho. Tirando isso, entra o trabalho artístico do mestre destileiro. Atualmente, por volta de 90% dos escoceses são envelhecidos em barris de Bourbon (o famoso uísque americano). Os outros 10% repousam, em grande parte, em barris de Jerez (vinho licoroso típico da Espanha). Também chamado de Xerez e Sherry.

Utilizar um barril reciclado pode parecer algo ruim, que interferirá profundamente no sabor da bebida, certo? Na verdade, é o contrário. Eles conferem, com muito mais sutileza novas notas ao destilado, se comparado ao gosto impregnado que a madeira nova pode deixar.

Quando novos, os barris de carvalho americano, por exemplo, levam notas de coco, baunilha e toffee para bebida. Não por acaso, esses são os sabores primários encontrados no Bourbon. Já os barris usados ​​de carvalho americano ainda transmitirão essas características, mas de forma menos intensa. 

A arte de produzir barris para abrigar bebidas como vinhos e uísque

Já um uísque escocês envelhecido em um barril de Jerez costumava ser predominantemente feito em barril de carvalho europeu, embora algumas marcas utilizem carvalho americano. Ao beber um scotch que repousou nesse tipo de madeira, o que se encontra são sabores ricos em frutas secas.

Há ainda alguns scotchs que são envelhecidos em múltiplos barris. 

Um barril, vale explicar, pode ser reutilizado várias vezes, mas a perfeição se encontra no segundo e terceiro uso. Depois disso, o impacto diminui e ele passa a funcionar como um saquinho de chá reutilizado. Ou seja, tão fraco que seja a ser inexpressivo. Há ainda quem os “rejuvenesça”, raspando a camada interna e incentivando que eles sejam re-torrados. Seu potencial, no entanto, nunca será mais o mesmo.

A “QUEIMA” DO BARRIL

O processo de queima do barril, com a intensidade definida por cada destilaria

Produzir um uísque é uma arte que, acredite, inclui queimar a madeira do barril de forma precisa. Na França e na Espanha, há hoje muitas tanoarias que abastecem destilarias do mundo todo e, em especial, da Escócia. São estabelecimentos especializados em moldar as tábuas de modo que elas fiquem mais largas no meio e mais estreitas nas extremidades. O trabalho mais bonito de se ver, no entanto, é o momento em que o mestre tanoeiro inicia o processo de queima do barril.

A função das chamas é torrar ou queimar levemente a parte interior da barrica. O grau de queima, mais queimado ou menos queimado, é decidido pela destilaria. Queimar a madeira intensifica ainda mais os sabores que o carvalho conferirá ao destilado. Isso explica, por exemplo, o gosto de defumado que algumas bebidas revelam.

Há muito mais histórias e processos por trás de um gole de um autêntico scotch do que se pode imaginar.

Mahogany Cosméticos traz sempre os Melhores Momentos para você.

Para ler mais sobre lifestyle, visite Prazerices.

4 Replies to “Puro ou com gelo, uísque é resultado de pura arte”

  1. Churchill podia beber Whiskey com gelo porque a água do gelo dele vinha da Escócia. Colocar gelo de qualquer água mineral ou não do Brasil, é insultar os escoceses, que passaram anos para achar a água ideal para a confecção do Whisky. Por isso, só tomo puro. E não shot, mas saboreando.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *